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Luiza Prado



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2020++

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    Luiza Prado research that involves sexuality and trauma, mental problems and memorie. Its proposal is to reprocess and desensitize traumas and memories and their neural rescue through art linked to other disciplines, such as technology, physics, neuroscience and psychiatry.

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The Body State - The Post Death Performance

2020 / Performance art & researcher by Luiza Prado & Isabella Lauermann

          The strangest characteristic of unconscious processes (...), is due to their complete disregard for the reality test; they equate the reality of thought with external reality and desires with its fulfillment - with the fact - just as it happens automatically under the domain of the old pleasure principle. Hence also the difficulty in distinguishing unconscious fantasies from memories that have become unconscious (Freud, 1911/1980: 285).



In art, mainly in a visceral, marginal, violent or body aesthetic that assumes its primitive characteristics, mainly using sexuality and nudity, outside the standard or pejorating this concept in order to contest colonization under the figure of the tribal body and its yearnings, specifically in performance art or in the image as photo-performance or video-performance we analyze not only a radical critique of one of the main characteristics of the religious and social fetish, but the construction and structuring of the body image.

Be sublime when you turn to art, creation or mystique, be abject when you surrender to your murderous drives, the wicked are a part of ourselves, a part of our humanity, because they exhibit what we never cease to disguise: our negativity itself, the dark part of ourselves. (Elisabeth Roudinesco, 2007, p13, The Obscure Part of Ourselves)

Based on the Lacanian point of view as Roudinesco delves into the book “The Obscure Part of Ourselves” and we also start from a philosophical presupposition, thus analyzing human nature such as Plato, Aristotle, Rousseau, Hobbes, among others, we can consider art as escape valve for perverse minds, and thus, the artistic act a kind of social theater that would be socially conceived.



However, art is reconciled with religious fetishism, specifically by objectifying and, in a way, worshiping the body image. The artist is the narcissist, whose presence is the vulnerability of the body that transitions between the banned / taboo of death, desire and transgression. “My body is the intention. My body is the event. My body is the result ”- Günter Brus


Necrophilia is then treated as questioning religious ethics and political ethics, the duality that exists between “the sacred and the profane, the divine and the human”. This perversity in conjunction with the social life of the necrophile under a judicial and social curation of the State, religiosity, specifically; monotheistic and eurocentrist religions - thus creating the optics and analogy of a Social Theater.

In current Brazilian legislation, despite advances in the field of organ donation and body donation for science, it does not give complete freedom for the individual to define the fate of his corpse in the post-mortem. The family, and the family's desire, are superior to the individual's own desire, since, even for the simplest things, such as organ donation, there is a need for family approval. That said, taking into account the corpse as a matter, the discussion of the dead body being owned by the individual's family, and not by the State.

This issue becomes complicated from the moment that religious freedom is a fundamental right, confirmed in the Federal Constitution. In other words, it is perfectly possible a situation in which there is no organ donation from an individual, who expressly expressed his desire, on behalf of a family, in which, due to religious principles, he did not allow the donation to take place. Thus, it is as if this individual is obliged to follow religious standards that he does not agree with.

It is possible to draw a parallel with the issue of necrophilia. In the Penal Code, the crime of "vilifying the corpse", which is when the honor of the corpse or his family is hurt. In this sense, if we are going to analyze the necrophilic practice as a villain, we can also analyze the situation described above as a villain. It is understood: if the practice of the necrophilic act, or even the plundering of the tombs is considered an act that hurts honor, why wouldn't it be against the principles of the individual before dying?

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aps this parallel is easier to see when analyzing the opposite. Christians bury their dead aiming at the sacredness of the body, in the face of the resurrection of the flesh. Well, wouldn't a family who donated all the organs and then cremate an individual who had these principles not be seen as sacrilegious? Wouldn't it be hurting the honor of this corpse, since the honor also includes the intellectual attributes? What about the state that neglects lives?

What is transgression really?  
       



O Estado do Corpo - Uma Performance Pós-Morte
Luiza Prado com Isabella Lauermann


A característica mais estranha dos processos inconscientes (…), deve-se ao seu inteiro desprezo pelo teste de realidade; eles equiparam a realidade do pensamento com a realidade externa e os desejos com sua realização – com o fato – tal como acontece automaticamente sob o domínio do antigo princípio de prazer. Daí também a dificuldade de distinguir fantasias inconscientes de lembranças que se tornaram inconscientes (Freud, 1911/1980: 285).

Na arte, principalmente em uma estética visceral, marginal, violenta ou do corpo que assume suas características primitivas, principalmente utilizando a sexualidade e a nudez, fora do padrão ou pejorando esse conceito afim de contestar a colonização sob figura do corpo tribal e seus anseios, especificamente na arte performática ou na imagem dela enquanto foto-performance ou vídeo-performance analisamos não somente uma crítica radical de uma das principais características do fetiche de caráter religioso e social, mas a construção e estruturação da Imagem do corpo.

Sejam sublimes quando se voltam para a arte, a criação ou a mística, sejam abjetos quando se entregam às suas pulsões assassinas, os perversos são uma parte de nós mesmos, uma parte de nossa humanidade, pois exibem o que não cessamos de dissimular: nossa própria negatividade, a parte obscura de nós mesmos. (Elisabeth Roudinesco, 2007, p13, A Parte Obscura de Nós Mesmos)

Baseando do ponto de vista Lacaniano tal como Roudinesco se aprofunda no livro “A parte Obscura de Nós Mesmos” e também se partimos de um pressuposto filosófico analisando assim a natureza humana tal como Platão, Aristóteles, Rousseau, Hobbes entre outros podemos considerar a arte como válvula de escape para mentes perversas, e assim, o ato artístico uma espécie de teatro social do que seria concebido socialmente.

Porém, a arte concilia-se com o fetichismo religioso, especificamente pela objetificação e de certo modo, da adoração da imagem do corpo. O artista é o narcisista, cuja presença é a vulnerabilidade do corpo que transita entre o interdito/tabu da morte, o desejo e a transgressão.

“Meu corpo é a intenção. Meu corpo é o evento. Meu corpo é o resultado”  -  Günter Brus

A necrofilia então é tratada como questionamento da ética religiosa e ética política, a dualidade que existe entre “o sagrado e o profano, o divino e o humano”. Essa perversidade em adjeto com a vida social do necrófilo sob uma curoadoria judicial e social do Estado, religiosidade, especificamente; religiões monoteístas e eurocentristas - deste modo, criando a ótica e analogia de um Teatro Social.

Na legislação brasileira atual, apesar dos avanços no quesito da doação de órgãos e da doação do corpo para a ciência, não dá a completa liberdade para que indivíduo defina o destino de seu cadáver no pós-morte. A família, e o desejo desta, são superiores ao desejo do próprio indivíduo, visto que, mesmo para as coisas mais simples, como a doação de órgãos, é necessário que haja o aval familiar.

Isto posto, levando-se em consideração o cadáver como matéria, entra-se na discussão do corpo morto ser propriedade da família do indivíduo, e não do Estado. Esta questão se torna complicada a partir do momento em que a liberdade religiosa é um direito fundamental, positivado na Constituição Federal. Ou seja, é perfeitamente possível uma situação na qual não há a doação de órgãos de um indivíduo, que manifestou expressamente o seu desejo, por conta de uma família, na qual, diante de princípios religiosos, não permitiu que houvesse a doação. Assim, é como se este indivíduo fosse obrigado à seguir padrões religiosos dos quais ele não concorda.

É possível fazer um paralelo com a questão da necrofilia. No Código Penal, está positivado o crime de "vilipêndio ao cadáver", que é quando fere-se a honra do cadáver ou de sua família. Nesse sentido, se formos analisar a prática necrófila como um vilipêndio, podemos também analisar a situação descrita acima como um vilipêndio. Entende-se: se a prática do ato necrófilo, ou até mesmo do saqueamento das tumbas é considerado um ato que fere a honra, por que ir contra os princípios do indivíduo antes de morrer também não seria?

Talvez esse paralelo seja mais fácil de se perceber analisando o contrário. Os cristãos enterram seus mortos visando a sacralidade do corpo, diante da ressurreição da carne. Pois bem, não seria visto como sendo um sacrilégio uma família que doasse todos os órgãos e depois cremasse um indivíduo que tivesse esses princípios? Não estaria ferindo a honra deste cadáver, visto que a honra também inclui os atributos intelectuais? E o Estado que negligencia vidas?

O que é de fato a transgressão?








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Authors


Isabella Lauermann
Isabella Lauermann is a law student at the Federal University of Rio de Janeiro - UFRJ. Lauermann has already been part of the Coordination of Law and Cinema Extension Activity and the UFRJ Knowledge Festival, in a discussion on law, politics and cinema. Currently he is part of the State Control Group for Racism and Coloniality - CERCO, an activity of philosophical discussion from the cinema. Her research involves Rights of the Body and Necrocidadania and her dissertation is about the problem of legal restriction in relation to funeral rites.

Luiza Prado
Luiza Prado is a transdisciplinary artist. His artistic research is about neural rescue and reprocessing of memories through art, specifically with the use of performance, noise and photography. Her work also addresses issues related to sexuality, gender and ancestry. To know more.

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